terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Contos de Draumur

Quando a gente era criança, dava pra brincar na rua. Eu nunca gostei de soltar pipa e minhas habilidades com peões eram muito limitadas, mas até arriscava ter uns Tazzos e jogar bolinhas de gude - as fubecas, em alguns estados. Tive uma breve coleção de cards, muito embora eu já fosse um pouco velho para eles, mas era bom tê-los por perto, principalmente para esnobar aquele seu colega chato, porque vocẽ tinha o card dourado e ele não, assim como se faz hoje com os celulares de última geração... Dava segurança! Jamais cheguei a completar um álbum de figurinhas, mas sempre tive os meus. Na realidade, jamais cheguei a completar qualquer página, porque em pouco tempo eles já perdiam a graça e/ou ficavam velhos, ultrapassados, tal como acontece com o Windows e o Playstation. Era então o momento certo de comprar outro.

Jogar bola, eu já joguei. Muita! Nunca fui bom, confesso, mas a turma era legal e a gente adorava. Nosso futebol era frequente, primeiramente no campinho de barro, na rua de baixo. E acredite, era de barro mesmo. E depois, com a evolução do vilarejo, era na enorme quadra coberta da escola - que contava com um piso de concreto resinado e traves de verdade, nada de madeira ou pau. E as redes no gol... tão práticas! Era lá que o futebol arte acontecia. Mas o amor pela bola foi se transferindo gradativamente para as garotas, que amadureceram rápido, muito rápido, poxa. A pressão era grande.

Mas o que eu gostava mesmo, era do guaraná Brahma. Tão gasoso e doce que fazia qualquer um sentar e saborear gole por gole. Nunca me esqueço do dia em que o a Dora, dona do bar na esquina, nos deu uma garrafa do Brahma de graça. De graça! Dá pra acreditar? Claro que éramos uns 20 moleques, todos sedentos depois do longo esporte, e a garrafa, coitada, não durou 1 minuto. Mas nossos pequenos e repartidos goles eram intensos e a felicidade foi enorme. Mas um dia a fabricação do Brahma acabou. Opção da fábrica que privilegiara então, apenas a cerveja. Eu até gosto de cerveja. Evoluí?

Pelo menos, minha turminha atual não liga mais pro Brahma. Nem pra Cards ou fubeca; Muito pouco, se discute o futebol. Agora a bebida evoluiu – como tudo que “evolui” - para a Vodka! É batida de pêssego com Vodka, Coca-Cola com Vodka, Internet com Vodka, automóveis com Vodka e até Vodka com Vodka! Eu não suporto. Prefiro Vit’s Limão ou suco de maracujá, natural. Vai ver eu fiquei, pra trás... vai ver, todos evoluíram.

2 comentários:

  1. Talento é talento. Leveza, graça, profundidade sutil. Parabéns!

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  2. Ficamos para trás nessa evolução continua a lugar nenhum? Somos o que afinal?

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