quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pseudo-parte III - Quando nós éramos reis

Lá na lua, onde morei, não tinha eletricidade. Mas, - claro! - também não havia nada escuro: ninguém podia dizer que não existia luz. Muito menos se dizia que faltava energia! Em uma pequena província lunar, no território Draumur, fui-me rei. Todos éramos. Quando se vive na lua, és rei por essência. Tens o poder. No planeta Terra, ou como visto, o planeta dos olhos de sangue, a definição de poder é um tanto tortuosa, fria. Gélida, pra dizer a verdade. Na lua, poder é uma coisa quente, mesmo quando nosso corpo celeste encontra-se distante do sol. Mas a questão aqui era a luz: veio o homem branco e trouxe a luz artificial. Ou pelo menos tentou, mas a física não permitia e a queda de energia era constante. Então eles foram embora.

Quando a luz acabava, era hora de alegria. A estrela vizinha, enorme, iluminava um miúdo coração e, por conta dela, figuras nas crateras eram desenhadas. Quando a luz acabava, o céu estava pronto para o show: Os cometas, vívidos, brincavam de ser refletores e a lua, portanto, tinha o poder de brilhar mais do que o sol! Os homens apenas usavam o termo 'a luz acabou', quando na realidade esse era o exato momento em que ela começava.

Hoje não sou rei. Sou homem. Portanto, dono de um poder gélido ou ao menos, obrigado a buscá-lo. Quando falta-me luz falsa, é como se faltasse-me luz de alma. Sinto-me mal. Sinto-me escuro. Sinto falta de vida. Sinto falta de casa. Quero voltar a ser rei, lá em Draumur. Porque lá, não temos mais poder do que ninguém e nem sequer o queremos ter. Lá, nosso poder é quente, vitalício e comum à todos!

***

Quando nós éramos reis, puxávamos tudo da tomada. Os homens pensavam que era a física, mas na realidade éramos nós quem eliminávamos a falsa luz. Hei-me-de ser rei novamente! Devolvo-te, humanidade, os olhos de sangue que jamais me serviram.

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