sábado, 5 de fevereiro de 2011

Quase parte II - E o que vem depois?

Eu fui. Vi de perto. Era uma mistura de 'sorrisos-máscara' com um pout-pourri 'lamento/vazio/fracasso'. Não sou ator, todos sabem. Não sei representar direito nem o que de fato sinto intrínseco por dentro de mim, pior ainda me é demonstrar o que não me cabe! Ainda mais com uma platéia tão grande e cativa, que em realidade apesar de estarem todos ali à me olhar, ninguém podia me ver. Dizem que, quando o som ecoa como foguetes, batendo e voltando por todas as paredes, as pessoas se sentem libertas e por tal agem como agem. Dizem que são capazes de sair de seus estados, de viajar, de ser o que querem ser. Mas não sou assim. Não quero ser nada mais, quero ser o que sou. Quando o hora tarda e as anomalias surgem, não apenas nunca saio de mim, como contrario aos atos, entro-me. Aprofundo-me. Escondo-me em mim. E não preciso que ninguém me diga que sou louco, não preciso que ninguém me diga que estou errado. É fácil notar que há algo incomum comigo, quando você percebe que todas as demais pessoas do mundo não são como sou. Por tal, sinto-me vazio nalgumas vezes. Por outras, tenho-me vergonha. Sei que não sou desse mundo. Sei que sou de longe, nos confins do que existe ou do que não existe. Tanto faz o teor de existência do que sou, venho dos confins e esse é o fato. Mas acredite: busco respostas. Ciento-me que há-me grande parcela de auto-psicanálise mal resolvida e trabalhando nisso, dedico horas dos meus planos a vagar em horizontes, procurando por mim. Às vezes, o corpo se fecha para balanço e - leia o que diz o aviso! - minha senhora, meu senhor, desculpe-me pelo transtorno, mas estou em reforma para melhor atendê-lo. Sei que vou achar o caminho de casa, mas nesse processo, temo que descobertas vivas podem confundir a lógica que, muito francamente, quase nunca tem lógica. Ou talvez eu, que sempre fui crido de ser uma pessoa extremamente lógica, na realidade criei minha própria lógica e por isso sou o único que a defendeu em todos esses anos. Lendo Frankenstein você percebe que muitas vezes apenas o criador pode compreender totalmente a criatura. Ou mais digo, nem o criador que sou compreende por completo o bicho que criei... * ...Na ocasião, ao meu redor, notei o monstro. Era como se eu estivesse em baixo da cama, junto dele. Nessa aventura, lado ao pó e ao lanche abandonado, encontrei algumas respostas. O pobre monstro - tadinho, tadinho! - é um ser mal compreendido. Mal resolvido. É feio, mas é bom. Pena que ninguém o enxerga. Eu mesmo sempre tive medo de por os pés no chão, acreditava que o monstro ia me pegar um dia. Mas ele não quer me pegar, ele quer se esconder de mim! Monstro de baixo da cama, aqui vai uma mensagem pra você: "não o temo. Compreendo-o. Vamos sair qualquer dia desses, tomar um açaí?!" Seria mesmo muito legal trazer esse monstro para o meu mundo. Eu ganharia alguma companhia a mais, algumas horas de diversão. Porque nesse outro mundo o qual sou obrigado a viver, às vezes, no palco, consigo me sentir completo, graças àquela artista de bem! Mas, sinto: consigo ser-me certo apenas quando as cortinas estão fechadas. Ao início do primeiro ato, sinto que ser-me não basta... Nesse mundo de cães e gatos, ser-te nunca basta! É preciso ser-se além! Você pode? Eu não posso. Sou. Apenas. Sou. E quer saber o que me chateia neste campo de gafanhotos enfurecidos? Sou formiga.

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