quarta-feira, 6 de junho de 2012

Guarda-chuva

Lá fora, o mundo cai em chuva e vento. Nas ruas, formam-se as poças, enchem-se os boeiros em pouco tempo. O lacrimejar dos anjos sobre meu rebento. É triste, é bonito, estranho e fantástico o que ostento. Mas não sou prosa, não sou poesia. Sou só um passatempo! Lá fora, a água seca, molha todo o pavimento. Há patas de um homem ou outro bicho, marcadas no cimento. O pedreiro que não pode consertar, a massa que não pode se secar, a brincadeira de Deus sobre os paradoxos do mundo, lento.  Lá fora, o céu despeja frias gotas em seu quase vitalício estado, cinzento. E se molhar pode ser inevitável... Mas se molhar enfim, a gente seca, alento! Não é problema, nem solução. Nem prosa, nem poesia... lamento. Lá fora, o sol desdobra o pensamento: está aqui, sim, mas onde está o aquecimento? Lá fora, gotas caem a quase todo momento. Mas quer saber? Lá fora, deixa chover... Só não deixe chover dentro de você. Não permita, não padeça!  E se ainda assim a tempestade  insistir em invadir a tua sala ou o teu quarto, eu entendo... Meu segundo nome é guarda-chuva e eu deixo você morar aqui dentro.

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