terça-feira, 19 de junho de 2012

Juvenis



Não faz tanto tempo assim.  Pra ser honesto, nada do que vi/vivi faz tanto tempo assim: sou bem jovem. E não estou te sacaneando, caro leitor que já dobrou a esquina do meio século. És tão jovem quanto sou. Se és vivo, és jovem. A vida humana é um lapso. Tudo passa muito – MUITO! – rápido. Se tu que me deténs enquanto texto neste momento já passou dos 60, dos 70, dos 80, alcançou a última marcha e mora em uma casinha ao Sul de Connecticut, estando à muitas milhas do vilarejo onde nasceu, lembre-se: tu és jovem. Se viste a grande guerra, a explosão de Chernobyl, o gol de mão do Maradona e o homem pisando na Lua, és jovem. Se viste o homem PISANDO NA TERRA, és jovem. Claro que não viste o homem pisando na água. Nenhum de nós viu. Somos todos jovens demais para ter visto.  E vamos todos morrer jovens. Meus olhos não vão ver tudo o que me pedem. Minha pele não vai tocar tudo o que me pede. Meu coração não vai sentir tudo o que me pede. Não há tempo para tudo. Morreremos jovens. A tecnologia avança, a medicina descobre a cura para o câncer e então morremos jovens, aos 120 anos. Não há tempo para nada. Valorize o que mais te importa. Dedique-se ao que mais convém. Priorize o que mais lhe faz bem...  porque morrerás jovem, dentro de 150 anos (sabe-se-lá-no-mais-tardar!). De tudo que teu peito clama, escolha três. Se és bom em administração, cabe-lhe quatro ou cinco escolhas... Eu escolhi levar comigo quem eu amo. Não muita gente. Pouco. Pouco. Não me cabe tanto. Não me cabe todos. Escolhi quem merece.  Porque no fim das contas, a única coisa que importa nessa vida são as pessoas. Não importa o seu carro, não importa a sua casa. O seu trabalho, as suas roupas ou o seu tapete-persa, não, não, nada disso importa. Tudo o que importa mora dentro das pessoas. Mas a maioria de nós somos jovens demais pra entender isso.

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