quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Moldura


Fantasmas nas fotografias
- um espectro entre os anjos e demônios 
que nos habitam. 

Rostos já não vistos 
como foste em outrora, 
apenas deixam na memória 
um espaço vago, 
a silhueta borrada
que noutros sonhos
e noutras vidas
ainda nos visitam.

As luzes de natal
vagam nas nuances do meu quarto
e permeiam nas paredes
que insistentemente fito.
E na dança de todas as cores
ouço ao fundo a canção das dores
que compus na noite fria
de um inverno 
que não minto.
Pois por fora, veja,
o fervor que sinto
na verdade é frio 
em estranho inferno 
que por dentro omito.

Fantasmas nas fotografias
que mostravam nosso empenho.
Ainda sou a base 
que assegura esse engenho
abraçando o horizonte:
o mar, o céu, o sol e a fonte
cristalina sob a ponte
por onde atravessa 
cada sonho que tenho.

Fantasmas nas fotografias
que hoje não mostram mais ninguém:
você que não está lá 
porque se foi em sua procura
e eu que não apareço
- não porque não mereço -
mas porque sou a moldura.

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