domingo, 10 de fevereiro de 2013

Lado Renegado


Hoje eu não quero escrever. Deveras cansativo me é ter de recorrer a essa prática cada simples vez em que me perco. Sim, confesso, estou mais uma vez perdido. Um pouco. Precisando colocar alguns móveis e ideias no lugar, mas farei diferente dessa vez: hoje eu não quero escrever. Compreendo que esse é o papel do escritor, para encontrar-se dentro de si, bem como também fazer com que suas palavras encontrem outrem dentro de outrem. Tal qual se faz a função do músico com seus acordes, tal qual se faz a função do padeiro com seus pães. Mas a realidade, penso, talvez eu não seja um escritor tão bom – ou nem sequer chegue a ser um - porque essa noite eu não quero escrever. Dentro de mim, saliento uma existência afã, mas cansada de ser ricocheteada dia após dia. Essa alma tem tanto a dizer, mas tampouco consegue...  Por isso não direi nada! E nem quero escrever! Deixo esta virtude à quem sabe. Saboreio as palavras das pessoas do Pessoa. Sintetizo suas ideias loucas. Sintonizo com as minhas, numa boa. É o que eu preciso para me reencontrar. Estou perdido, mas não quero escrever. Não mesmo. Não por essa razão. Não por você. Nem estou escrevendo agora. Jogue esse texto fora.

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