domingo, 8 de janeiro de 2017

As Crônicas de Gelo e Fogo-Santo

Nós amamos quem amamos, sim, mas sobretudo, nós amamos o amor. As despedidas, principalmente contra nossa concordância, são muito dolorosas e na maioria das vezes lentas, porque elas não se resumem apenas ao fim de algo marcante que vivemos: nelas também reside a necessidade de nos livrar do que sobra de amor em nós. E isso sim, definitivamente, representa o fim.

É um processo tão difícil quanto a desintoxicação por drogas. O corpo sente em muitos níveis. Das tremedeiras às tonturas. Às vezes a falta de ar é tanta que não nos deixa dormir. Recorremos ao fogo-santo. E quando dormimos, muitas vezes, nosso subcosciente entra na briga contra o cosciente, por não compreender porque jogar todo o nosso ouro pela janela. Essa guerra nos acorda. Recorremos ao gelo.

Mas sempre tem aquele velho clichê de que a vida é cíclica, de que a despedida nos taxia novamente na pista para a decolagem. Quando nos damos conta de que na realidade estamos amando apenas um amor e que de amores o mundo está tão cheio, teoricamente estamos prontos para começar a limpeza dos nossos motores. Depois é só recarregar com combustíveis. Recorremos ao fogo-santo com gelo. Limão vai bem. E vida que segue.

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